TIC vs NTIC

AS Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC), abrangem, o Hardware (no presente caso aplicado aos Computadores), as Tecnologias associadas às Redes de Comunicação, as Linguagens de Programação, as Bases de Dados, as diferentes aplicações (software) e tecnologias similares.

Mas, Novas Tecnologias porquê?

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) são um conjunto de recursos tecnológicos integrados entre si, que proporcionam, por meio das funções tecnológicas, a simplificação da comunicação nos processos de negócios, da pesquisa científica, de ensino e aprendizagem. Correspondem a todas as tecnologias que interferem e medeiam os processos informacionais e comunicativos dos seres. Como tal, estas podem ser ou não baseadas em computadores ou em tecnologias atuais.

As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) são as tecnologias e métodos para comunicar surgidas no contexto da Revolução Informacional, Revolução Telemática ou Terceira Revolução Industrial, desenvolvidas gradativamente desde a segunda metade da década de 1970 e, principalmente, a partir de 1990. A maioria delas caracteriza-se por agilizar, horizontalizar e tornar menos palpável (fisicamente manipulável) o conteúdo da comunicação, por meio da digitalização e da comunicação em redes de telecomunicações e similares, para a captação, transmissão e distribuição de informação multimédia (texto, imagem, vídeo e som). Considera-se que o advento destas novas tecnologias possibilitou a emergência da sociedade da informação.

Máquinas, comunicação, processos de negócios, pesquisa científica, ensino e aprendizagem não são exclusivos da sociedade atual, mais sim um conjunto de processos anteriores que foram evoluindo ao longo dos tempos. As máquinas destinam-se a simplificar e otimizar tarefas, os negócios implicam meios de comunicação, a pesquisa científica implica troca de ideias entre pessoas que as estudam, o ensino e a aprendizagem requerem repositórios de conhecimento (bibliotecas, escolas, universidades), mas não são um exclusivo da Sociedade atual!

Como teriam os Egípcios construído o que conhecemos se não tivessem máquinas? A Universidade de Coimbra não foi fundada em 1290? Com o advento das antigas civilizações não existiram vias de comunicação entre elas (terrestres ou marítimas)?

Neste contexto, concluímos facilmente que as TIC´s existem desde os primórdios da humanidade, desde que foi inventada a escrita e se organizou e difundiu a informação permitindo o contacto entre as diversas civilizações.

O papel foi obtido através de determinados meios tecnológicos. Um Sistema de Informação que é baseado em papel arquivado em pastas, não deixa de ser um sistema de Informação. Mas é baseado, em TIC ou em NTIC?

Caso não façamos a separação referida, como conseguiremos distinguir o anterior comparativamente com um Sistema de Informação que seja baseado em tecnologias atuais?

A distinção será de imediato percetível se considerarmos que ambos são Sistemas de Informação, o primeiro baseado em TIC e o segundo em NTIC. Só assim poderemos distinguir que o segundo se baseia numa tecnologia diferente da anterior e com quase 99% de probabilidade de ser uma tecnologia superior, mais rápida e mais fiável. Mesmo seguindo o raciocínio de que as NTIC´s estão no mesmo universo das TIC´s é óbvio que são distintas logo temos de distingui-las.

Um Sistema de Informação em 1970

Nos anos de 1970, lembro-me de os Bancos em Portugal usarem um sistema mecanográfico. O Subsistema de Informação de débitos de cheques funcionava, em termos genéricos, com esta fantástica sequência:

  • O cliente dirigia-se ao balcão (com filas enormes de pessoas), apresentava um cheque para descontar (o “multibanco” não existia, nem se imaginava a existência de “tal palavra”);
  • O funcionário conferia se o cheque estava convenientemente emitido (data, valor em numerário igual ao valor por extenso) e pedia o Bilhete de Identidade ao cliente;
    • Se o cliente não tivesse Bilhete de Identidade, entregava uma chapa com um número, para posteriormente ser chamado pelo “caixa”;
    • Se o cliente não tivesse Bilhete de Identidade, entregava uma chapa com um número, para posteriormente ser chamado pelo “caixa”
  • O funcionário perguntava às pessoas da fila se existia “mais alguém para cheques”. Se sim, eram repetidos os procedimentos descritos;
  • Após já ter uma quantidade de cheques de diversos clientes (alguns mais do que um) procedia da seguinte forma:
    • Ia conferir nas contas de todos os clientes que pretendiam descontar um cheque, para se certificar se tinham saldo para tal. Colocava um visto na parte do valor;
    • Separava os cheques referentes aos clientes que tinham apresentado o BI, logo com possibilidade de conferência de "assinatura", e entregava ao "caixa" para pagamento (chapa 23, chapa 28... "tecnologia da voz");
    • Os que não tinham a assinatura conferida por ausência do BI, o funcionário ia pesquisar em armários de arquivo (cinzentos, enormes, com gavetas pequenas) que continham documentos com as assinaturas de todos os clientes que tinham conta nessa dependência;
    • Se a assinatura conferia, o funcionário entregava o cheque ao "caixa" para pagamento;
    • Se não conferia, tinha de chamar o cliente para resolver a situação;
    • Note que esta sequência era para o cliente que tinha conta na agência. Caso tivesse conta noutra, o processo era muito mais demorado.

Descontar um cheque nos anos de 1970 num banco, era um processo que demorava de 30 minutos a longas horas. Dependeria se era “fim-do-mês”, se o cliente tinha conta na agência ou se “era de outra” – neste caso, ainda tinha de ser feita uma fotocópia (a preto-e-branco e em papel térmico) do cheque e ser enviado por fax (absolutamente lento e que funcionava “quando queria” pois as infraestruturas de telecomunicações eram absolutamente rudimentares em comparação com a atualidade) para a agência em que o cliente tinha a conta, para serem conferidos o saldo e a assinatura. Depois, o funcionário da outra agência, enviava um fax para, etc. etc.

Compare-se o anterior sistema baseado em TIC 's com o atual sistema de informação bancário baseado em NTIC ’s. A diferença não é nítida? O desconto de um cheque faz-se imediatamente na “caixa”, pois o sistema permite a conferência imediata. O utilizador atual, praticamente não utiliza cheques, podendo efetuar pagamentos em terminais. Multibanco (existe em Portugal desde 1985), homebanking (no qual só não é possível levantar dinheiro), pagamentos eletrónicos (cada vez mais seguros), eram palavras e tecnologias desconhecidas nos anos de 1970.

Poderemos considerar, e bem, que ambos os sistemas utilizam TIC ’s. Mas como poderemos enquadrar tecnologicamente os referidos sistemas se eles utilizam tecnologias totalmente distintas?

Neste contexto, é óbvio que quando nos referimos às Tecnologias baseadas em computadores e similares, não é correto denominá-las de TIC, pois estas tecnologias são Novas e inovadoras e têm poucas semelhanças com as anteriores.

 

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Autor: José JR Crispim
Publicado em: Julho de 2013

Nota: se verificar alguma incorreção no presente artigo ou pretender acrescentar algo mais, pode enviar-me um e-Mail. Publicarei a correção e colocarei o autor da mesma.

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